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Brooksfield Donna, marca da Via Veneto, é flagrada com trabalho escravo

Catálogo (à esquerda) mostra roupa com a mesma estampa encontrada na oficina (à direita). Foto: Montagem (Piero Locatelli e MTPS) Reporter Brasil Catálogo (à esquerda) mostra roupa com a mesma estampa encontrada na oficina (à direita). Foto: Montagem (Piero Locatelli e MTPS)
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21 Junho 2016

Bolivianos trabalhavam mais de 12 horas por dia e viviam em condições degradantes em oficina quarterizada. Empresa foi responsabilizada por trabalho análogo ao escravo.

Enquanto consumidores chegam a pagar mais de R$ 500 por uma peça de roupa da Brooksfield Donna em shoppings de São Paulo, a marca paga R$ 6, em média, por cada peça produzida por um grupo de bolivianos, na zona leste da cidade. Foi esse motivo que levou o Ministério do Trabalho e Previdência Social a responsabilizar a empresa por trabalho análogo ao de escravo na manhã de hoje. 

A BBC e a ong Repórter Brasil tiveram acesso com exclusividade ao relatório da denúncia que deixa clara a relação entre a companhia e os fornecedores, apesar da empresa negar qualquer vínculo.

As peças encontradas já continham as etiquetas da marca Brooksfield Donna e o responsável pela oficina era contratado por meio de uma empresa intermediária, a MDS Confecções.

De acordo com a BBC, cinco bolivianos trabalhavam mais de 12 horas por dia, sete dias por semana, e viviam em condições degradantes na oficina, mesmo local onde moravam.

Entre os funcionários, foi resgatada uma menina de 14 anos que trabalhava como os adultos na máquina de costura, uma atividade apontada como uma das “piores de trabalho infantil”, por se tratar de um perigoso equipamento perfurante.

Mais duas crianças estavam no local enquanto as mães costuravam sem parar, outro fator de risco de acidentes graves, segundo o relatório.

imh67Trabalhadores não receberam auxílio da Brooksfield, o que os deixa em uma situação de extrema fragilidade. Foto: MTPS
Sem condições

A casa, conta o repórter da Repórter Brasil, não contava com extintores, apesar de haver em seu chão um grande acúmulo de tecidos e instalações elétricas precárias. O forte odor evidenciava a falta de higiene do local e, na cozinha, uma pequena panela de arroz e macarrão seria o alimento de todos eles.

Segundo os auditores, “as condições de segurança e saúde eram inexistentes, tanto nos locais de trabalho, como nos locais de moradia”.

Ainda de acordo com o Ministério do Trabalho, a empresa se recusou a pagar os direitos dos resgatados, estimado pelas autoridades em R$ 17.800.

À BBC Brasil, em nota, o departamento de marketing da Via Veneto afirmou que "a empresa não terceiriza a prestação de serviços e seus fornecedores são empresas certificadas. A empresa cumpre regularmente todas as normas do ordenamento jurídico que lhe são aplicáveis".



Etiquetas da Brooksfield Donna na oficina onde os trabalhadores foram encontrados. Foto: MTPS

Números alarmantes 

Cerca de 45,8 milhões de pessoas em todo o mundo estão sujeitas a alguma forma de escravidão moderna, quando uma pessoa retira a liberdade individual da outra com a intenção de explorá-la.

A estimativa é do relatório Índice de Escravidão Global 2016, da Fundação Walk Free.

No Brasil, quase 50 mil pessoas foram resgatadas de situações análogas ao trabalho escravo nos últimos 20 anos, a maior parte em Minas Gerais, de acordo com balanço MT, divulgado em 2015.

Entre as empresas do setor de vestuário já autuadas no país nos últimos anos, estão Zara e Riachuelo.

A postura do grupo Via Veneto é distinta da maioria das empresas que foram flagradas com trabalho escravo nos últimos anos, e demonstraram alguma colaboração na tentativa de sanar as demandas urgentes dos trabalhadores logo após a fiscalização. Marcas como Le Lis Blanc e Luigi Bertolli aceitaram tomar medidas emergenciais, apesar de se defenderem das acusações de trabalho escravo em momento posterior. Ao negar o auxílio, a Via Veneto argumentou ao Ministério Público do Trabalho que “não é responsável por nenhuma das pessoas” do inquérito que investiga o caso.
Última modificação em Terça, 21 Junho 2016 04:07

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