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	<description>Sindicato dos Empregados no Comércio de Florianópolis</description>
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		<title>Juiz do Trabalho reconhece relação de emprego entre motorista e Uber</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Mar 2020 21:09:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Empresa de aplicativo é condenada a anotar carteira de trabalho e a pagar direitos, verbas rescisórias e indenização por danos morais O juiz Átila da Rold Roesler, da 28ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, reconheceu a relação de emprego entre um motorista e a...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Empresa de aplicativo é condenada a anotar carteira de trabalho e a pagar direitos, verbas rescisórias e indenização por danos morais</p>
<p>O juiz Átila da Rold Roesler, da 28ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, reconheceu a relação de emprego entre um motorista e a Uber do Brasil. A empresa foi condenada, em decisão divulgada nesta quarta-feira (4), a anotar a carteira de trabalho e a pagar verbas rescisórias e demais direitos trabalhistas. Foi deferida, também, indenização por danos morais, por ausência do aviso prévio e dos pagamentos devidos.</p>
<p>A empresa alegou que apenas fazia a intermediação de pessoas, sendo mera “parceira” <a href="https://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2018/08/justica-manda-uber-assinar-carteira-e-pagar-direitos-a-motorista/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">entre o motorista e a plataforma digital</a>. Afirmou que não havia exigência de exclusividade e que não estavam presentes os requisitos habituais da relação de emprego: subordinação, pessoalidade, onerosidade e não-eventualidade.</p>
<p>Para o magistrado, se a relação de trabalho evoluiu nas últimas décadas, o modo de análise também pode ser reconstruído com base nos princípios do Direito do Trabalho. “Uma releitura dos requisitos para a configuração do vínculo de emprego é necessária para que não haja a exploração desenfreada da mão de obra sem qualquer proteção legal”, ressaltou.</p>
<p>No entendimento do juiz, a inexistência de jornada fixa ou número mínimo de atendimentos não foram suficientes para afastar a subordinação. A empresa definia os carros, fixava valores das corridas e exigia a contratação de seguro. Os motoristas também eram avaliados, com atribuição de notas, e desligados se não atingissem a média local.</p>
<p>Uma testemunha no processo confirmou o caráter individual da plataforma, comprovando o requisito da pessoalidade. Ela também informou que se fosse provado o uso por terceiros, o motorista não poderia mais utilizá-la. Para o magistrado, os pagamentos semanais configuraram a onerosidade e os controles de frequência por meio do aplicativo com uso do GPS, a não-eventualidade. Também ficou provado que o autor recebia e-mails de cobrança quando ficava alguns dias sem usar o sistema.</p>
<p>O julgador ainda observou na sentença que a presunção de existência de vínculo empregatício no direito brasileiro é imperativa e vai ao encontro dos princípios constitucionais e legais de valorização do trabalho, justiça social, bem-estar individual e social e da própria dignidade da pessoa. Cabe recurso ao Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região.</p>
<p> </p>
<h3>Justiça francesa</h3>
<p>Em decisão também divulgada nesta quarta-feira (4), o Tribunal de Cassação na França decidiu que um motorista de Uber não é autônomo e que de fato há uma relação empregador-empregado no trabalho com o aplicativo.</p>
<p>Trata-se de uma decisão sem precedentes para os motoristas ainda considerados, por enquanto, independentes. “Eles poderão solicitar uma reclassificação de seu contrato. Se tomarem uma ação, devem ganhar seu caso e ter seu status de autônomo reclassificado como trabalhadores assalariados”, disse Maître Bénéat, especialista em direito social, <a href="https://www.rtl.fr/actu/justice-faits-divers/les-infos-de-6h-uber-les-chauffeurs-bientot-tous-salaries-7800205222" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundo noticiou o site francês <em>RTL</em></a>.</p>
<p>Essa decisão do Tribunal diz respeito apenas a um caso e o reclamante terá que retornar ao tribunal para validar essa sentença. No entanto, o Uber pode continuar usando <em>freelancers</em>. “A Uber não vai mudar todo o seu modelo econômico. Pode continuar correndo o risco de litígios que se multiplicam, de motoristas que solicitam sua requalificação”, disse ela.</p>
<p>A empresa explica por sua parte que metade de seus motoristas não deseja trabalhar e prefere trabalhar de forma independente.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Fonte: Rede Brasil Atual – Com informações do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região e do site RTL | Escrito por: Redação RBA | Imagem: Reprodução-Uber</em></p>
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		<title>Uberização, pejotização, fins de direitos, superexploração: a lógica predatória do capitalismo do século XXI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[sandra]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Jul 2019 11:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Direitos do Trabalhador]]></category>
		<category><![CDATA[direitos trabalhistas]]></category>
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					<description><![CDATA[O capitalismo se estabeleceu ainda no século XVI enquanto um fenômeno histórico baseado em duas condições centrais: o assalariamento como forma de contratação dos trabalhadores e, a consequente condição de exploração destes trabalhadores numa jornada de trabalho que possibilitasse ao empregador (empresa capitalista) obter uma...]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">O capitalismo se estabeleceu ainda no século XVI enquanto um fenômeno histórico baseado em duas condições centrais: o assalariamento como forma de contratação dos trabalhadores e, a consequente condição de exploração destes trabalhadores numa jornada de trabalho que possibilitasse ao empregador (empresa capitalista) obter uma massa de lucro com base nas atividades que aquele assalariado executasse durante a jornada de trabalho.</div>
<div style="text-align: justify;">Durante o século XIX às jornadas de trabalho alcançavam em alguns países às 18 horas diárias; em alguns países, como o Brasil e EUA, a manutenção da escravidão até quase final do século impunha jornadas eternas e a condição de exploração máxima aos trabalhadores.</div>
<div style="text-align: justify;">O capitalismo do século XX foi sacudido pela organização dos trabalhadores e pela luta social pela garantia de mínimas condições de vida. Assim, ainda no início do século XX, os movimentos de trabalhadores avançaram para uma paulatina, por mais que parcial regulação das relações de trabalho, tanto em termos de jornadas, como também salariais. Ao nível internacional a OIT (Organização Internacional do Trabalho) que surge em 1919, foi uma das primeiras organizações internacionais a serem fundadas dentro da perspectiva de uma ordem que levaria em conta um padrão de capitalismo mais regulado pelos interesses da sociedade como um todo.</div>
<div style="text-align: justify;">Durante a segunda metade do século XX um conjunto de regramentos sociais estabelecido em países do chamado capitalismo central. O chamado “Estado de Bem Estar Social”, ao lado da presença de uma classe trabalhadora muito organizada em sindicatos e organismos políticos conseguiram frear, ou pelo menos, mitigar a lógica de ilimitada exploração própria do regime capitalista.</div>
<div style="text-align: justify;">Nos últimos quarenta anos, o capitalismo baseado na chamada “acumulação flexível” se tornou o novo padrão, ou de outro modo, reverteu às condições históricas estabelecidas no Pós-guerra e se implantou como lógica de superexploração do trabalho nas mais diversas partes do planeta.</div>
<div style="text-align: justify;">Três alterações foram centrais para o estabelecimento deste novo padrão: alterações tecnológicas; alterações nas regulações sociais e fragilização da organização de trabalhadores. Estas três alterações atuaram conjuntamente e simbioticamente. Incialmente as alterações tecnológicas, especialmente a chamada “reestruturação produtiva” e, conjuntamente, as novas tecnologias de comunicação e transmissão de dados, impuseram formas de trabalho e, principalmente, intensificaram o controle sobre o tempo de trabalho, avançando, inclusive, sobre o chamado “trabalho livre”, ou seja, àquele tempo de trabalho até então não alienado, ou não vendido, ao capital ou empresa capitalista. Por exemplo, as novas tecnologias permitem que o final de semana seja utilizado sob condições de exploração e execução de atividades laborais, utilizando o próprio espaço domésticos dos trabalhadores e trabalhadoras.</div>
<div style="text-align: justify;">Porém, essas novas tecnologias, a exemplo do UBER possibilita com que o tempo de trabalho além de ser alienado em condições mais intensas, também os próprios meios de subsistência ou propriedades básicas dos trabalhadores passa a ser controlados e revertidos para exploração pelo capital ou empresa capitalista. No caso do UBER, o trabalhador além de disponibilizar seu tempo na atividade de “taxista” também disponibiliza sua propriedade ou posse material, o veículo, se torna um bem controlado pelo processo tecnológico empresarial.</div>
<div style="text-align: justify;">As duas outras alterações também foram centrais e reforçam o mundo da precarização que temos no início do século XX. A quebra das regras básicas de regulação social passou a impor crescentes jornadas de trabalho ao nível mundial, com taxas de salários decrescentes.</div>
<div style="text-align: justify;">No Brasil o antepenúltimo momento desta tragédia social se deu com a regulamentação da Lei Complementar 13.467/16, convencionada de Reforma Trabalhista. Os pontos que são mais graves e de repercussão ainda não totalmente visíveis no mercado de trabalho se relacionam a intensificação das condições de fragilidade e vulnerabilidade dos trabalhadores no mercado de trabalho. Vale pontuar na legislação o fortalecimento da figura do trabalho autônomo, intermitente, parcial, temporário e fortalecimento da terceirização.</div>
<div style="text-align: justify;">No chamado contrato de trabalho intermitente, o empregado terá o prazo de vinte e quatro horas para responder ao chamado e o período de inatividade não será considerado como tempo de serviço à disposição do empregador. O trabalhador intermitente somente receberá pelas horas efetivamente ocupadas, o que concretamente estabelecerá salários abaixo do mínimo e formas de subemprego enquanto dinâmica legal.</div>
<div style="text-align: justify;">Por sua vez o Contrato de Trabalho temporário, será de cento e oitenta dias, consecutivos ou não, prorrogáveis por mais noventa dias, consecutivos ou não, ou seja, será de até 270 dias, bem acima da rotatividade média no Brasil (que é de 6 meses). O resultante desta lógica nos leva ao uso do trabalho temporário enquanto forma definitiva, impondo a definitiva precarização do trabalhador.</div>
<div style="text-align: justify;">Resultante desta reconfiguração predatória do mercado de trabalho brasileiro, temos, segundo a última PNAD-C (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar Contínua), divulgada pelo IBGE referente ao trimestre de março/2019, um total de mais de 32 milhões de brasileiros em idade de trabalhar, mas que ou não conseguem emprego, ou não trabalham tanto quanto gostariam ou, ainda, estão fora da força de trabalho (seja por que não têm como assumir um emprego, ou por que desistiram de procurar por emprego).</div>
<div style="text-align: justify;">Por fim, mas tão deletério quanto os aspectos acima refere-se a fragilização dos sindicatos e a perda da capacidade dos trabalhadores de reagirem aos ataques que o Capital na sua sina de crescente exploração impõe. Assim nos últimos anos observamos a menor organização de trabalhadores e a diminuição do poder dos sindicatos.</div>
<div style="text-align: justify;">Mesmo com tanta fragilização os trabalhadores estão construindo novos instrumentos de resistência, assim na Inglaterra surgiu a União dos Trabalhadores Independentes da Grã-Bretanha (IWGB), que marcou para esta quarta-feira (08/05) um boicote global a empresa UBER (operadora holding do UBER). Os motoristas planejam fazer logoff do aplicativo e protestar contra os abusos do UBER.</div>
<div style="text-align: justify;">A IWGB está chamando o público para não cruzar a linha de “piquete digital” não usando o aplicativo para reservar serviços UBER nesta quarta-feira. Segundo o Sindicato Inglês “os investidores e fundadores da UBER ganham bilhões de dólares (&#8230;) baseada em um modelo de negócio insustentável, dependente da exploração de trabalhadores, evasão fiscal e arbitragem regulatória&#8221; (THE INDEPENDENT, Inglaterra: ind.pn/2WtvCAd).</div>
<div style="text-align: justify;">É este modelo de capitalismo predatório que está no centro da atual configuração social brasileira.</div>
<div style="text-align: justify;"><strong>José Raimundo Trindade é Professor da UFPA e Coordenador do Observatório Paraense do Mercado de Trabalho &#8211; OPAMET</strong></div>
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